A Polícia Civil de Minas Gerais (PCMG), em parceria com o Governo do Estado, celebrou nesta segunda-feira (1/12) os 40 anos da inauguração da primeira Delegacia de Mulheres de Minas, durante a terceira edição do Encontro Estadual das Delegacias Especializadas de Atendimento à Mulher (Deams), realizado em Belo Horizonte.
O evento contou com a presença do vice-governador Mateus Simões, da chefe da PCMG, delegada-geral Letícia Gamboge, e do secretário de Justiça e Segurança Pública, Rogério Greco, que ressaltaram o papel pioneiro de Minas Gerais na prevenção, acolhimento e investigação da violência de gênero.
Minas, referência nacional
Ao celebrar o marco histórico, o vice-governador destacou a evolução do estado na criação e estruturação de espaços especializados para atendimento às mulheres.
“Hoje, temos 70 delegacias especializadas em atendimento à mulher em Minas, além de núcleos e uma série de programas estruturados dentro do PCMG Por Elas, que organizam o atendimento, o combate e a prevenção à violência contra a mulher”, afirmou Mateus Simões.
O programa PCMG Por Elas consolida diretrizes, padronizações e ações permanentes voltadas ao acolhimento, à proteção e à investigação de crimes contra mulheres.
Novas políticas e monitoramento da violência
Durante a solenidade, Simões assinou um despacho que viabiliza a execução dos projetos de lei 1.242/2023 e 3.704/2022, que ampliam as políticas públicas de atendimento às vítimas.
Uma das medidas prevê a criação do Observatório Estadual da Violência Contra a Mulher, que reunirá dados e permitirá decisões mais assertivas nas políticas de proteção.
Outra ação destacada é a ampliação da classificação dos tipos de violência nos sistemas policiais.
“Vamos lançar de forma separada as ocorrências de violência física, moral, psicológica e patrimonial, permitindo identificar onde e como agir de forma mais efetiva”, explicou o vice-governador.
Mobilização pelos 21 dias de ativismo
O encontro integra o movimento mundial 21 Dias de Ativismo pelo Fim da Violência contra as Mulheres. De 20/11 a 10/12, a PCMG realiza ações educativas e repressivas para fortalecer a proteção e o acesso à justiça, incluindo medidas contra a violência digital.
Os debates do evento incluem avanços institucionais, qualificação do atendimento, fluxos investigativos e os desafios atuais no enfrentamento à violência de gênero.
“É um momento de festa, mas também de reflexão sobre tudo o que foi construído desde 1985, quando nasceu a nossa primeira Delegacia Especializada”, destacou a delegada-geral Letícia Gamboge.
Expansão das estruturas
Das 70 delegacias especializadas existentes, 12 foram criadas desde 2019, em municípios como Bom Despacho, Campo Belo, Ibirité, Juatuba, Leopoldina, São João Del Rei e Unaí.
Também foram entregues:
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A nova sede do Departamento de Investigação, Orientação e Proteção à Família, em Belo Horizonte
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Uma das quatro unidades do Núcleo Especializado de Atendimento à Mulher (Neam), em Mariana
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Ampliadas iniciativas como a Casa da Mulher Mineira, Delegacia Virtual, aplicativo Chame a Frida, Programa Dialogar e o Plantão Lilás, em fase de expansão.
“O atendimento por outra mulher faz toda diferença. A vítima se sente mais compreendida e acolhida”, reforçou o secretário Rogério Greco.
Redução dos feminicídios e dados de proteção
Entre janeiro e outubro de 2025, Minas Gerais registrou redução de 15% nos casos de feminicídio, consumados e tentados, em comparação ao mesmo período de 2024.
As medidas protetivas de urgência continuam sendo um dos principais instrumentos de apoio às vítimas.
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Em 2024, a Polícia Civil solicitou 63.343 medidas, média de 5.278 por mês.
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Em 2025, até outubro, já são 54.824 pedidos, com média mensal de 5.482.

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