O ministro dos Transportes, Renan Filho, detalhou nesta quarta-feira (29) as mudanças previstas na proposta de modernização da Carteira Nacional de Habilitação (CNH). A principal novidade é o fim da obrigatoriedade de contratar pacotes de aulas práticas exclusivamente por meio de autoescolas, permitindo que os cidadãos possam optar também por instrutores autônomos credenciados.

Segundo o ministro, a medida deve aumentar a concorrência e reduzir os custos para quem deseja obter a habilitação.

“A autoescola não vai acabar. Vai continuar. O que vai acabar é a obrigatoriedade de contratar aula prática pela autoescola”, explicou Renan Filho, durante entrevista ao programa Bom Dia, Ministro.

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Novo modelo de formação

Pelo novo modelo, os instrutores autônomos poderão atuar de forma independente ou vinculados a um Centro de Formação de Condutores (CFC), oferecendo aulas em seus próprios veículos ou até mesmo no carro do aluno.

O profissional interessado deverá cumprir requisitos básicos, realizar um curso de formação e obter a Carteira de Identificação Profissional de Instrutor Autônomo, emitida gratuitamente pela Secretaria Nacional de Trânsito (Senatran). Após autorização do Detran, o instrutor será registrado junto ao Ministério dos Transportes.

Os cidadãos poderão consultar, nos sites oficiais, se o instrutor está devidamente credenciado para exercer a atividade.

Simplificação das regras

Renan Filho destacou que a implementação das mudanças poderá ocorrer rapidamente, já que não exige alteração em lei, mas apenas ajuste em resolução do Contran (Conselho Nacional de Trânsito).

“Não é a lei que obriga o cidadão a seguir esse fluxo, é uma resolução do Contran. E o que a gente está alterando é justamente essa resolução”, afirmou o ministro.

A proposta simplifica as exigências previstas na Resolução nº 789/2020, que hoje impõe custos adicionais às autoescolas, como metragem mínima por aluno, padronização de mobiliário e identidade visual. Mesmo com a flexibilização, a fiscalização continuará sendo responsabilidade dos Detrans estaduais e do Distrito Federal.

Impacto no mercado

O ministro também ressaltou que a modernização pode ajudar a enfrentar a escassez de novos caminhoneiros no país.

“Hoje, o brasileiro tira a primeira carteira aos 25 anos, em média. As mulheres, aos 27. Isso atrasa o acesso às categorias profissionais e dificulta a renovação do setor de transporte”, disse Renan Filho.

De acordo com ele, a proposta deve beneficiar cerca de 20 milhões de brasileiros que ainda não possuem CNH e também modernizar o funcionamento das autoescolas, reduzindo custos e ampliando as oportunidades de trabalho no setor.