O transplante de coração é uma cirurgia de alta complexidade que só é recomendada em casos específicos de problemas cardíacos, principalmente quando o órgão já não responde aos tratamentos convencionais ou precisa do auxílio de máquinas para atender as ações básicas do corpo humano.

Recentemente, o apresentador Fausto Silva, de 73 anos, passou pelo procedimento após ser internado no dia 5 de agosto com uma insuficiência cardíaca e apresentar piora no quadro. Ele recebeu o coração de um jogador de futebol de 35 anos, que morreu no último sábado (26/08) após sofrer um Acidente Vascular Cerebral (AVC).

Outro caso foi o Ezequias da Costa, de 34 anos, natural de Juiz de Fora, na Zona da Mata, que recebeu alta nesta sexta-feira (1º) da Santa Casa de Belo Horizonte 22 dias após realizar um transplante e receber um novo coração. Ele sofreu uma parada cardíaca em 2021 enquanto se exercitava em uma academia e foi levado para o hospital, onde médicos descobriram que ele sofria de miocardite, uma inflamação no tecido muscular do coração.

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O coordenador clínico do programa de transplantes cardíacos da Santa Casa de Belo Horizonte, Silvio Amadeu Andrade, conversou com a reportagem da Itatiaia e respondeu as principais dúvidas sobre a fila, o procedimento e o regulamento.

A cirurgia é complicada?

"É um procedimento complexo e de alto risco, só indicado em momentos em que a doença cardíaca está em estágio avançado e não responde aos tratamento convencionais, como uso de medicamentos ou uso do marca-passo. A cirurgia é uma das mais complexas da Medicina, porque se o coração implantado não funcionar direito, o paciente está em enorme risco."

Quem pode ser inscrito na lista de espera?

"Para ser inscrito na lista de espera o paciente deve atender alguns critérios. A pessoa não pode apresentar outros problemas graves de saúde, além de respeitar um limite máximo para a realização do procedimento. Outro fator importante é que o paciente tem que ter condições gerais adequadas, como não ter nenhuma infecção."

Quais os critérios de prioridade?

"Pacientes com prioridade são os de estado mais grave, principalmente os internados que precisam de medicamente na veia para manter a função cardíaca ou os que precisam de aparelhos. Eles tem tempo de espera menor na fila por conta do alto risco de morte."

Quais os sintomas sofridos pelo paciente?

"Pacientes em lista de espera sempre estão sintomáticos, cansam muito, precisam de ser internados para receber medicamentos, não se alimentam direito, perdem peso. Todo paciente precisa muito do transplante, que só é proposta quando não há outra forma, todos estão sobre grande risco ou sofrimento, ou os dois, isso só se encerra com a doação, que acontece mediante autorização dos familiares."

Existem riscos no procedimento?

"A cirurgia tem riscos, a rejeição é uma possibilidade e que pode variar em gravidade, desde quadros inocentes até situações ameaçadoras, infecções, pelos quadros de imunossupressão são frequentes. Porém de forma geral, o resultado é bom. Um exemplo é o transplante renal, se o enxerto renal não funcionar, o paciente tem a hemodiálise como opção até voltar a receber outro transplante, mas no transplante de coração não há isso."

FONTE/CRÉDITOS: Itatiaia