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Oito funcionários foram presos, incluindo o dono das unidades; 48 pacientes foram resgatados em situação de fome, agressões e dopagem com medicamentos sem prescrição.
Duas clínicas de reabilitação ilegais foram fechadas em Juatuba, na Região Metropolitana de Belo Horizonte, no último final de semana, após denúncias graves. Entre os crimes investigados estão cárcere privado, maus-tratos, abuso sexual, agressões, falsificação de documentos e até tráfico de drogas. Ao todo, 48 pacientes foram resgatados e oito funcionários, incluindo o proprietário, foram presos.
A primeira interdição ocorreu no sábado (27), no bairro Residencial Samambaia. A denúncia partiu de uma funcionária que relatou sofrer abuso psicológico e testemunhar agressões contra internos. Segundo ela, pacientes eram obrigados a ingerir medicações psiquiátricas sem prescrição médica e ficavam dopados diariamente.
No local, 36 internos, entre 20 e 67 anos, foram encontrados. Muitos apresentavam fala arrastada, raciocínio lento e confusão mental. Alguns relataram ter sido agredidos para engolirem remédios, além de abusos sexuais e ameaças. Documentos pessoais retidos, caixas de medicamentos controlados sem receita, cigarros vendidos ilegalmente e até folhas em branco assinadas com CRM falso foram apreendidos. Seis funcionários da unidade foram presos.
Já no domingo (28), outra clínica pertencente ao mesmo dono foi interditada, desta vez no bairro Vila Maria Regina. Doze internos foram resgatados, a maioria debilitada, sem alimentação adequada e também dopados com remédios de uso controlado. Um deles, que havia feito a denúncia, foi encontrado com hematomas no pescoço e contou ter sido agredido após tentar fugir. Dois funcionários dessa unidade foram presos.
Os pacientes foram encaminhados para abrigos de Juatuba com o apoio da prefeitura, da assistência social e da Vigilância Sanitária. Medicamentos vencidos e de uso restrito foram recolhidos pelas autoridades.
As clínicas interditadas faziam parte do Grupo Fênix, que se apresentava nas redes sociais como especializado no tratamento de alcoolismo e dependência química. A reportagem entrou em contato com o grupo, mas não obteve retorno até o momento.
O caso segue sob investigação da Polícia Civil.
Publicado por:
Patricia Santos
Patrícia Santos é jornalista e editora do Jornal Embarque na Notícia, veículo de comunicação sediado em Mateus Leme, Minas Gerais. Atua na produção, edição e coordenação de conteúdos jornalísticos voltados à cobertura de acontecimentos locais,...
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