Quatro anos depois da tragédia que matou 270 pessoas na mina da Vale no Córrego do Feijão, em Brumadinho, três vítimas seguem desaparecidas

Maior catástrofe humanitária da história do Brasil, a tragédia da Vale em Brumadinho mantém, ainda quatro anos depois, rastros de destruição no Córrego do Feijão e entre a população do município a 60 quilômetros de Belo Horizonte. A barragem B1, operada pela mineradora, se rompeu quando o relógio marcava 12 horas, 28 minutos e 24 segundos de 25 de janeiro de 2019. Feito uma avalanche, nove milhões de metros cúbicos de rejeitos de mineração arrastaram pessoas, construções inteiras e toneladas de máquinas a uma velocidade de 76 quilômetros por hora.

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Duzentas e setenta pessoas morreram. Seus corpos foram esmigalhados pela força da enxurrada de lama. Eles permanecem divididos ainda hoje, data em que o rompimento completa quatro anos. Estes vestígios das histórias destruídas estão em meio aos rejeitos peneirados pelos bombeiros à procura de restos mortais das três pessoas que permanecem não identificadas, e também em um contêiner refrigerado no Instituto Médico Legal (IML), que abriga centenas de fragmentos ósseos. É o que restou das vítimas fatais do desastre da Vale. 

 

Em um período de quatro anos, 1004 segmentos corporais foram recebidos no Instituto Médico Legal. Destes, 267 puderam ser identificados; 440 correspondem a identificações, ou seja, pertenciam a vítimas que já tinham sido identificadas anteriormente – e outros tantos não puderam sequer ser analisados. "A extração de material genético não é fácil, especialmente quando estes ossos estavam submetidos a intempéries da natureza e à própria lama", detalha a médica-legista. Hoje, 36 casos estão no Instituto de Criminalística aguardando os testes que definirão se eles são identificações ou vítimas ainda não encontradas. Tal como nas operações de busca, não há data para fim dos trabalhos no IML.